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Publicado originalmente: 8 de setembro de 2021 Atualizado: 4 de novembro de 2026

Cobalto e estanho: os impactes sociais da mineração

Porque a análise das matérias-primas deve considerar condições de trabalho, comunidades, rastreabilidade e Avaliação Social do Ciclo de Vida.

Cobalto e estanho: os impactes sociais da mineração nas cadeias de abastecimento

Os minerais utilizados em baterias, equipamentos eletrónicos e embalagens ligam produtos do quotidiano a cadeias de abastecimento globais. Avaliar os impactes ambientais da extração é importante, mas não conta toda a história: as condições de trabalho, a saúde e segurança, os direitos humanos e os meios de subsistência das comunidades também devem ser considerados.

Cobalto na República Democrática do Congo

O cobalto é utilizado em várias tecnologias, incluindo algumas baterias recarregáveis de iões de lítio. A República Democrática do Congo tem um papel central na produção mundial. Parte da extração artesanal e de pequena escala tem sido associada a condições de trabalho perigosas, riscos para a saúde e preocupações relacionadas com o trabalho infantil e a rastreabilidade.

A existência de políticas empresariais de tolerância zero não garante, por si só, visibilidade completa sobre todos os níveis da cadeia. A rastreabilidade, a diligência devida e a melhoria das condições de mineração exigem uma atuação contínua das empresas, dos governos, dos fornecedores e das organizações locais.

Estanho e mineração marinha na Indonésia

Na Indonésia, a extração de estanho em zonas costeiras e no leito marinho tem suscitado preocupações ambientais e sociais. Para além dos riscos profissionais, a alteração de habitats costeiros e de zonas de pesca pode afetar a disponibilidade de recursos e o rendimento das comunidades que dependem dessas atividades.

Estes exemplos mostram por que razão a análise das matérias-primas não deve limitar-se à escassez geológica ou aos impactes ambientais agregados. A localização da extração, o tipo de operação e a relação com as comunidades alteram o perfil de risco.

O papel da Avaliação Social do Ciclo de Vida

A Avaliação Social do Ciclo de Vida (ASCV) oferece uma estrutura para investigar potenciais impactes sociais ao longo da cadeia de valor. Consoante o objetivo e os dados disponíveis, podem ser analisados temas como os direitos dos trabalhadores, a saúde e segurança, o trabalho infantil, as condições de vida, os direitos das comunidades e os mecanismos de governação.

A ASCV não deve ser entendida como um selo automático nem como substituta da diligência devida. É uma abordagem de avaliação que exige indicadores transparentes, fontes adequadas e interpretação cuidadosa. Em cadeias complexas, combinar a análise do ciclo de vida, a rastreabilidade e o envolvimento das partes interessadas ajuda a identificar riscos que uma análise exclusivamente ambiental poderá não revelar.

Referências e leituras complementares