A energia faz parte do ciclo de vida
A eletricidade e os combustíveis utilizados na produção, no transporte, na utilização e no fim de vida de um produto podem influenciar significativamente os resultados de uma Avaliação do Ciclo de Vida. Por isso, a análise não deve considerar apenas a matriz energética do local onde o produto final é fabricado: as cadeias de abastecimento podem envolver vários países e sistemas energéticos.
Uma transição com várias dimensões
A expansão de fontes renováveis, como a energia solar e eólica, é uma parte importante da transição energética. Mas a transformação do sistema também depende da modernização das redes, da interligação entre regiões, do armazenamento, da gestão da procura e da disponibilidade de infraestruturas.
A integração geográfica pode ajudar a equilibrar a variabilidade da produção renovável, mas os benefícios dependem das condições locais, dos perfis de consumo, dos recursos disponíveis e dos investimentos necessários. Cenários publicados em 2020 com metas para 2030 ou 2050 devem ser lidos como projeções formuladas naquele momento, não como resultados garantidos.
Representar a energia numa ACV
Na modelação de um produto ou serviço, é importante selecionar dados de eletricidade e combustíveis coerentes com a localização, o período, a tecnologia e a cadeia de fornecimento estudada. Também é necessário documentar pressupostos sobre importações, autoconsumo, perdas de rede e contratos de aquisição de energia.
Uma matriz elétrica com menor intensidade de carbono pode reduzir determinados impactes, mas não resolve automaticamente outros impactes ambientais nem substitui a análise do ciclo de vida completo. A transição energética e a ACV complementam-se: uma transforma os sistemas de energia; a outra ajuda a compreender os efeitos dessas mudanças ao longo das cadeias de valor.
