O custo das perdas de materiais nem sempre é evidente
Num processo produtivo, a matéria-prima que não se transforma no produto final pode representar muito mais do que um custo de eliminação. As perdas também incorporam custos de aquisição, transporte, armazenamento, energia, processamento e tratamento. Quando estes custos estão dispersos por diferentes centros de custo, a dimensão económica das perdas pode passar despercebida.
A Contabilidade de Custos dos Fluxos de Materiais (MFCA, na sigla em inglês) é uma ferramenta de contabilidade de gestão ambiental que acompanha os fluxos e as existências de materiais em unidades físicas e associa custos a esses fluxos. O objetivo é tornar visíveis os custos dos produtos e dos materiais que não se convertem em produto, apoiando decisões para melhorar a eficiência na utilização de materiais e energia.
Como funciona
A organização define centros de quantidade e acompanha as entradas, saídas e perdas em cada etapa relevante. Os fluxos são quantificados em unidades físicas — por exemplo, quilogramas ou toneladas — e os custos associados são imputados de forma consistente. Desta forma, as equipas podem identificar onde ocorrem perdas e avaliar o potencial económico das medidas de melhoria.
A ISO 14051 estabelece o quadro geral da MFCA. A ISO 14052 fornece orientações para a aplicação na cadeia de abastecimento, enquanto a ISO 14053 descreve uma abordagem faseada que pode ser adotada por organizações de diferentes dimensões e níveis de maturidade. A ISO 14051 foi confirmada em 2025 e continua em vigor.
Benefícios e cuidados na interpretação
A MFCA pode revelar oportunidades para reduzir desperdícios e o consumo de materiais e energia, contribuindo simultaneamente para a redução de custos. Um caso citado na publicação original de 2020, relativo a uma indústria têxtil alemã, reportou melhorias na utilização de algodão, na produtividade e nas emissões. Estes resultados são específicos desse caso e não devem ser entendidos como uma expectativa universal.
A MFCA complementa, mas não substitui, outras ferramentas de gestão ambiental ou a ACV. A primeira centra-se na informação sobre custos e fluxos dentro da organização ou da cadeia de abastecimento; a ACV avalia potenciais impactes ambientais ao longo do ciclo de vida. Utilizadas em conjunto, podem apoiar decisões que tenham em conta tanto a eficiência operacional como as consequências ambientais mais abrangentes.
